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segunda-feira, 28 de maio de 2018

ESCALANDO O "FUJI-SAN"

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"Os passos na busca do conhecimento interior,
seguem um único caminho: a linha ascendente!"


O País do "Sol Nascente" possui o seu lado espiritual, místico e cultural além de lindas curiosidades que presenciei e vivi durante minha estadia no pequeno paraíso que considero um "Jardim do Mundo".

O Monte Fuji é considerado o cartão postal do Japão. É comum ter um quadro com a foto ou gravura deste símbolo do Japão, nas residências dos descendentes nipônicos. O Monte Fuji é um lugar sagrado e segundo uma tradição antiga 'todo japonês deve escalá-lo ao menos uma vez na vida'.

O "Fuji-san", como é carinhosamente chamado pelos japoneses, é um vulcão adormecido com 3.776 metros de altitude, cuja última erupção foi no ano de 1707. É o ponto mais elevado do Japão e passa a maior parte do ano coberto de neve. O turismo e a escalada são permitidos somente entre os meses de julho e agosto, durante o verão. A subida ao topo é uma verdadeira aventura de resistência física e psicológica.

Desde criança sentia uma vontade imensa de conhecer o Monte Fuji. Ficava olhando a imagem no quadro que ficava na parede da sala, apreciando a beleza que irradiava. Esse sonho foi possível realizar no feriadão de agosto de 1992, quando um japonês que trabalhava comigo, convidou-me e a um amigo peruano para acompanhá-lo.

Seguindo suas orientações - pois ele já era um veterano na escalada do "Fuji-san" - preparei minha mochila com os itens necessários: cachecol, chapéu, luvas, blusas, lanterna, bolachas, chocolates, água mineral e... uma bandeira do Brasil! 

Saímos numa manhã de sábado e chegamos ao local de subida ao entardecer. Iniciamos a escalada já ao anoitecer pois o nosso plano era alcançar o topo para assistir a beleza do nascer do sol.

O Monte Fuji nos fornece uma visão majestosa, onipotente, desafiadora e, de pronto sentimos até um certo desânimo só de imaginar a escalada, ao olhar para o topo que some entre as nuvens...

Ali, pela primeira vez na vida senti o significado de uma verdadeira peregrinação, era isto o que faria ao subir aquela encosta íngreme que parecia não ter fim.

Para superar os obstáculos e me incentivar a não desistir no meio do caminho, pensei: "Independentemente de qualquer resultado da minha passagem pelo Japão, alcançar a meta nesta noite será o momento mais glorioso pois chegarei ao topo da minha vida neste país e ninguém tirará o gosto desta vitória!".

A primeira parte da subida é plana com um leve aclive, atravessando as matas silvestres da região. Logo em seguida, começa a subida. 

Antes de iniciarmos a caminhada, compramos um bastões de madeira e bolinhos de arroz. O bastão serviria de apoio, pois o terreno lá em cima é muito perigoso e o seu uso é realmente necessário, como  viria a descobrir mais tarde.


Durante toda subida vê-se várias estações para descanso dos turistas e peregrinos e, em cada parada, como lembrança e prova da sua heroica façanha é gravado no seu bastão o nome da estação, a data e a altitude do local.

O bastão que se tornou meu cajado, simbolizando a peregrinação no Monte Fuji.
Já na metade do caminho para o alto do "Fuji-san" via impressionado a quantidade de pessoas que subiam. Eram jovens, velhos e crianças. Um verdadeiro formigueiro humano seguindo a trilha, ziguezagueando a encosta. 

As luzes das lanternas pareciam vagalumes na escuridão, iluminando os rostos cansados pelo esforço da subida. Alguns paravam um pouco ao lado do caminho, outros desistiam... Outros seguiam em frente, um passo de cada vez, num ritmo tão lento que lembrava a procissão dos meus tempos de coroinha.

As horas iam passando, parecendo uma eternidade. Uma dezena de metros que davam a sensação de quilômetros. O meu corpo parecia pesar toneladas, com a respiração ofegante e a cabeça rodopiando. É o efeito da altitude. O ar é rarefeito. Algumas pessoas utilizam bombas de oxigênio. 

Parei um pouco para descansar pois precisava me recuperar, me adaptar à falta de oxigênio. Tentava puxar o pouco de ar que ainda restava em volta. O meu rosto e o meu peito pareciam que iriam estourar, as veias queriam saltar fora da pele. 


Já nem andava mais, na verdade, me arrastava. Usava o bastão para me puxar, senão mal conseguia sair do lugar. Usava as duas mãos para me apoiar nele, caso contrário despencaria ao chão. Olhava ao longe e via apenas as luzes das cidades, lá embaixo, piscando sob as nuvens.

Em cada estação, mais uma etapa vencida. E mais complicada ficava a subida. Agora mais íngreme, com as pedras se soltando e o terreno afundando cada vez mais. É uma terra vulcânica, parecendo uma areia fina que se desmancha, igual à fuligem; quando meus pés a tocavam era como pisar na lama, dificultando ainda mais a caminhada. 

Olhava para cima e via as formiguinhas-vagalumes subindo, calmamente, sumindo aos poucos na escuridão da noite.

Pouco antes da meia-noite resolvemos parar numa estação para oxigenar o corpo. Entramos num amplo salão onde as pessoas pernoitavam e procuramos um lugar para acomodarmo-nos para um cochilo. 

Duas horas depois, com o corpo recuperado do cansaço, continuamos a subida pela madrugada adentro. E após "alguns séculos" nesta interminável escalada, chegamos à penúltima estação. Soprava um vento forte, gelado, o frio congelava os ossos.


Tremia tanto que os dentes batiam uns nos outros como se fossem pica-paus martelando uma árvore. Olhei para cima e vi que ainda faltavam uns 200 metros. Achei praticamente impossível chegar lá em cima: não era mais íngreme, era um paredão!

Meu amigo peruano desistiu ali mesmo. Disse que ia nos esperar do outro lado para a descida. Pegou um atalho e foi embora. Lembrei-me do meu incentivo e mandei ver. Dos 3.776 metros, faltavam, apenas, pouco menos de 200 metros para alcançar a meta. 

"Vou sim, nem que meu amigo japonês tenha que me arrastar, mas vou do jeito que der. Depois de tudo que passei até aqui, não vou morrer na praia não, vou até lá em cima. Ah, se vou!".

E fui... quase morto... mas cheguei!

Assim que pisei no topo do "Fuji-san", vendo a imensa boca do vulcão se abrindo à minha frente, ajoelhei - não sei se de cansaço ou de emoção - e ao olhar para a linha do horizonte tive a mais linda visão que já presenciei. Uma das mais belas obras: o nascer do sol acima daquele maravilhoso tapete de algodão branco!

Fiquei um bom tempo sentado na borda da cratera contemplando aquele espetáculo, sentindo toda a espiritualidade daquele ambiente paradisíaco. 

Uma sensação de alegria indescritível me envolvia. 

A felicidade invadia o meu peito.

Um sonho de criança estava se realizando!

Um forte abraço,
Shima.
(Escrito em 1992)

quarta-feira, 9 de maio de 2018

KYUUKEI MAGAZINE

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A minha ida para o Nihon foi em 1990.

Em 1992, a convite da direção da empreiteira da qual era funcionário na fábrica, aceitei o desafio de produzir um Boletim Informativo mensal para ser distribuído aos brasileiros em todo o Japão. Foi o Suri-Emu News.
Foram criados várias editorias abordando as necessidade dos "Dekasseguis" e também aproveitei para dar prosseguimento em um projeto criado em 1990, quando havia me mudado para a cidade de Toyohashi. A criação do Tomodachi Club (Clube de Amigos).

Anos depois, em 2002, criei uma empresa no Japão e publiquei a minha própria revista que se chamou: Kyuukei Magazine e representava o veículo de comunicação do Tomodachi Clube de Toyohashi. A palavra "kyuukei" em japonês significa: intervalo, descanso. Ou seja, nas fábricas a cada duas horas eram concedidos de 10 a 15 minutos de intervalos para descanso e lanche. E foi com este propósito que a revista passou a se chamar Kyuukei. Era para ser lido nestes horários e durante o expediente, promover as reflexões.

Os artigos, textos e fotos produzidas eram para ser absorvidos, lidos e contemplados em 10 minutos apenas.
Com o patrocínios dos amigos empresários e lojistas da cidade, foi possível manter a alta qualidade desta revista e a sua periodicidade que era distribuída gratuitamente para toda a comunidade. Havia 10 mil brasileiros residindo na cidade de Toyohashi.

Num evento ocorrido na Prefeitura da cidade, a revista foi apresentada ao prefeito que se surpreendeu pelo trabalho realizado por mim e nisso, uma semana depois me convidou para integrar como membro, um setor de intercâmbio para estrangeiros da prefeitura.

Após passar por várias experiências empresariais no Japão até o meu retorno definitivo ao Brasil em 2006, terminei a minha peregrinação em solo japonês com a publicação de textos sobre as minhas vivências espirituais no Caminhando com o Mestre que seria transformado num blog e num site de autoconhecimento.

Hoje retomo o Kyuukei Magazine em versão digital com o objetivo de trocar experiências, reunir amigos e contribuir com a comunidade nikkey.

Yoroshiku onegai shimasu!


(*) Quem trabalhou na Kawanishi (Akemi chõ/Toyohashi) nos anos 90 deve se lembrar que em Agosto/1991 foi lançado um informativo dentro da fábrica que se chamava "Kyuukei". 

Na época eu mesmo o digitava numa máquina processadora de texto que como não tinha acentos, os colocava manualmente com uma caneta nanquim. Na época trabalhava no Setor de Injetoras da Hayama que ficava ao lado da Linha A e B da Kawanishi. 

O Kyuukei era impresso e suas cópias distribuídas para todos os brasileiros da fábrica. No começo era apenas um projeto, mas em seguida fui convidado para editar o Suri-Emu News e então o informativo virou uma editoria e se transformou no Tomodachi Clube de Toyohashi nos anos seguintes.


(**) No último trimestre de 1989, depois de quase uma década trabalhando em gráficas, editoras e jornais e ter feito um curso de extensão de Jornalismo Comunitário pela UnB, tomei a decisão de fundar o meu próprio veículo de comunicação, e criei o Jornal Pioneiro na cidade satélite do Núcleo Bandeirante em Brasília, onde residia. Começou a partir daí, a caminhada para a realização dos meus sonhos e ideais. Na época eu era associado da AIDF - Associação de Imprensa do Distrito Federal.

Um projeto foi elaborado de forma bem detalhada com o envolvimento de toda a comunidade daquela cidade, onde o foco principal se baseava na atividade Família-Escola-Comunidade. As crianças daquela época precisavam do apoio total, devido à onda de desestruturação familiar que vinha ocorrendo dentro da sociedade e a violência que invadia os lares junto com as drogas.

Este foi o início dos projetos que desenvolvi lá no Nihon e que hoje dou continuidade principalmente pelo fato de eu estar trabalhando em uma escola municipal de ensino fundamental.

KYUUKEI - INCENTIVANDO O INTERCÂMBIO

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Residi no Japão por quase 16 anos, na cidade de Toyohashi, província de Aichi. A primeira vez que fui ao Japão, as razões eram pessoais e familiares e não financeira. Na segunda estadia, foi espiritual.

Durante a segunda etapa da minha permanência no Japão, seguia a minha rotina como qualquer dekassegui, procurando sempre de alguma forma – além do serviço na fábrica - ser útil para a comunidade brasileira na minha cidade... por isso, participava em diversos eventos.

Foi nessa época – no ano de 2002 -, quando cuidava de uma creche para crianças brasileiras, filipinas e peruanas, que vi a necessidade de criar um veículo de comunicação que pudesse amenizar as dificuldades de comunicação e integração entre japoneses, brasileiros e peruanos.

Nasceu aí... a revista Kyuukei.

Esta foi a minha mensagem para os leitores, quando lancei a revista:

“A cidade de Toyohashi é onde descemos para uma parada temporária. É também o lugar que optamos por morar e trabalhar. Para tornarmos essa estadia agradável, precisamos manter inabalável o motivo original que nos trouxe para esta terra tão distante e concentrarmos em nosso objetivo aqui no Japão.

O Brasil, assim como o resto do mundo, têm seus problemas. Aqui não seria diferente. Devemos isso sim, buscar no nosso dia-a-dia, compreender que vivemos num país que nos dá uma chance de alcançar nossos sonhos. O primeiro passo é cultivar o sentimento de gratidão por aquilo que temos: oportunidade!

Quando isto acontece, a vida fica mais fácil de viver, porque gratidão gera gratidão. Devemos ser gratos por termos um lugar para viver, uma casa para nos abrigar quando voltamos cansados... um cantinho para esticarmos o nosso esqueleto moído pela jornada de trabalho. Sem esse conforto não haveria razão para estarmos aqui.

O Kyuukei busca despertar esse sentimento por uma cidade que nos acolhe, que procura atender nossas necessidades, que embora haja dificuldades de comunicação, vem criando formas de melhorar o intercâmbio entre culturas tão diferentes e que busca facilitar a nossa vida nesta cidade maravilhosa!

O Kyuukei quer mostrar à comunidade japonesa que somos um povo alegre, trabalhador e acima de tudo honesto. Não viemos para causar problemas, mas encontrar soluções para nossas vidas.

O Kyuukei é um espaço que criamos para homenagear a cidade e seus habitantes, mostrar o lado positivo do relacionamento entre as pessoas, da beleza de se curtir uma amizade, e acima de tudo semear o espírito de gratidão entre nós!

(Shima)”

Foi uma das mais lindas experiências que vivi no Japão. E a partir desse trabalho, senti grandes mudanças na minha própria vida. Somados às lições que aprendemos dentro das fábricas, a participação atuante de pessoas na comunidade brasileira, que desenvolvia o sentimento de solidariedade, me fez crescer muito, como um ser humano!

Ernesto Shimabuko​

Foto: Toyohashi Visitors & Convention Association.

O ENCONTRO DE DUAS CULTURAS

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Corria o ano de 1990, a estação de Toyohashi era o ponto de referência. Simples e pequena para uma cidade que sonhava ser grande. Mas era ali que convergiam os brasileiros em busca de contatos e novidades. Os "depatos" (shoppings) eram seus refúgios nos finais de semana. Os japoneses ainda olhavam desconfiados, mas existia aquilo que era latente em todos os seres humanos: a curiosidade.

Quem eram aquelas pessoas que pareciam ser japoneses, mas falavam um idioma diferente? Quando andavam nas ruas, os brasileiros eram identificados imediatamente, pois usavam "calça jeans". Em volta, em quase todos os lugares, os japoneses andavam com roupas sociais, sempre rigorosos no trajar.

Nos parques, aos domingos era comum observar o homem japonês andar na frente da mulher quase 2 metros adiante e ela acompanhando cerimoniosamente com o filho no colo.

Falar do Brasil nas fábricas para os japoneses era um tanto complicado. Onde ficava?! Os poucos que conheciam a palavra "Burajiru" (Brazil), achavam que neste país existia somente "samba, carnaval, índios e floresta".

O movimento dekassegui naquela época, no início da década de 90, era marcado por episódios particulares onde somente o marido ía ao Japão. Depois que conseguisse se estabilizar na fábrica e arrumasse um lugar para morar, levava a família. Eles tinham o objetivo de ficar cerca de dois, três anos e, se economizassem o suficiente, conseguiriam investir no Brasil. Assim era a rotina dos dekasseguis.

O estouro da "bolha" econômica naquela época não causava nenhuma preocupação. O mercado de mão de obra para os brasileiros ainda era disputadíssimo. Empresas que não tivessem brasileiros em suas linhas de produção ficavam para trás.

A produção de cada brasileiro em relação ao japonês era no mínimo o dobro e, em muitos casos, até sete vezes mais. Enchia de orgulho saber que muitas empresas de "fundo de quintal" na época, estavam crescendo rapidamente por causa dos brasileiros. Ganhava-se em um ano de trabalho no Japão, o que se levaria dez anos de trabalho no Brasil.

Muitos lojistas japoneses, perceberam este novo filão de consumidores e rapidamente abriram as portas para atendê-los. Outros tiveram que passar pelo revés de ter de chamar de volta os brasileiros, quando por discriminação os impediram de entrar em seus estabelecimentos. Bastaram 30 dias, na hora de fazer o balanço para sentir a diferença. Eram aqueles "gaijins" (estrangeiros) que vinham aquecendo as vendas.

Também pudera... Os brasileiros entravam nas lojas, não pechinchavam, pagavam à vista produtos de 150, 200 mil yenes e ainda carregavam nas costas até suas casas. Em compras de 100 yen era comum ver brasileiros pagando com notas de 10 mil.

Matar a saudade da feijoada, do guaraná Antarctica, cerveja Brahma, salame, era ficar aguardando os parentes e amigos que chegavam do Brasil trazendo estas delícias dentro das bagagens.

Revistas e jornais mesmo sendo do mês anterior eram devoradas em poucos minutos, passando de mão em mão. Somente em meados daquele ano é que surgiu em Toyohashi a primeira loja que comercializava produtos brasileiros.

Era uma adega japonesa, onde se vendia apenas bebidas. Chamava-se "Takehana", localizada no bairro de Higashi Miyuki, lá pelos lados do Akebono. Os preços eram "salgados", mas valia a pena.

Matá né!

Shima.


Tomodachi Club 

https://www.facebook.com/groups/ToyohashiTomodachiClub/

sexta-feira, 4 de maio de 2018

7º FESTIVAL DO JAPÃO - BRASÍLIA - 2018

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20 anos depois, o reencontro com o grande amigo Joe Hirata.


Ocorreu no Festival do Japão Brasília – FJB 2018, o maior festival japonês do centro-oeste, comemora sete anos de realização. É um evento oficial do Calendário de Eventos do Distrito Federal e um Evento Oficial dos 110 Anos da Imigração Japonesa no Brasil. Uma oportunidade de conhecer aspectos da cultura e da culinária japonesa.

Estava estudando para a prova da faculdade que faria no sábado (05/05/2018), quando a Renata Zimmermann, me alertou sobre o início do 7º Festival do Japão que ia acontecer no Parque da Cidade aqui em Brasília e que o Joe Hirata ia se apresentar naquela noite. Não deu outra, como já era de tarde, falei para ela que ainda dava tempo de ir ao Festival e rever o velho e grande amigo do Japão.



Em 1992 fiz a minha primeira reportagem com o Joe Hirata numa apresentação dele na cidade de Toyohashi num evento de Karaokê, para o Suri-Emu News na época. Dois anos depois, em 1994 o Joe Hirata tornou-se o Campeão Nacional no Concurso da TV NHK, cantando a música "Shining On Kimiga Kanashii".

Em 1997, o Joe Hirata me chamou para ouvir o K-7 da gravação da música que ele estava lançando na época. Iniciou sua carreira profissional em 1998 num grande show realizado em Nagoya – Japão, lançando seu primeiro CD single LEMBRANÇAS. Retornou ao Brasil em 1999 e lançou seu CD álbum SONHO DE UM BRASILEIRO na casa de espetáculo Olympia em São Paulo.

Até meados do ano seguinte (1998) viajamos muito pelo Japão, onde ele fazia seus shows. O sucesso de Joe Hirata expandiu pelo Japão o que o levou a percorrer as cidades da colônia japonesa no Brasil. Daí em diante os nossos caminhos seguiram rumos diferentes.



Nesta sexta-feira, dia 04/05/2018, 20 anos depois foi com muita alegria que a oportunidade do reencontro aconteceu. Ele já lançou o seu 8º CD e eu estou lançando agora o meu 4º livro que irá falar sobre a minha vida de dekassegui no Japão, onde vou contar muitos detalhes sobre a jornada dos brasileiros que pousaram na Terra do Sol Nascente no início dos anos 90. O fenômeno dekassegui como ficou conhecido na época desencadeou uma série de consequências como a síndrome da volta. E será sobre esse tema que estarei relatando no próximo livro a ser lançado em breve. 




Momentos mágicos se realizam quando a amizade permanece além do tempo e espaço, e foi essa uma das mensagens que publiquei no ano de 1992 quando editava o Suri-Emu News e registrei numa edição que: "Um dia quero olhar para trás e ver o rastro que deixei no Japão. O maior tesouro ainda é a Amizade!" E são esses laços que mantêm unidos até hoje as velhas amizades nascidas em solo japonês.



Gratidão profunda,
Shima.



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