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quarta-feira, 9 de maio de 2018

O ENCONTRO DE DUAS CULTURAS


Corria o ano de 1990, a estação de Toyohashi era o ponto de referência. Simples e pequena para uma cidade que sonhava ser grande. Mas era ali que convergiam os brasileiros em busca de contatos e novidades. Os "depatos" (shoppings) eram seus refúgios nos finais de semana. Os japoneses ainda olhavam desconfiados, mas existia aquilo que era latente em todos os seres humanos: a curiosidade.

Quem eram aquelas pessoas que pareciam ser japoneses, mas falavam um idioma diferente? Quando andavam nas ruas, os brasileiros eram identificados imediatamente, pois usavam "calça jeans". Em volta, em quase todos os lugares, os japoneses andavam com roupas sociais, sempre rigorosos no trajar.

Nos parques, aos domingos era comum observar o homem japonês andar na frente da mulher quase 2 metros adiante e ela acompanhando cerimoniosamente com o filho no colo.

Falar do Brasil nas fábricas para os japoneses era um tanto complicado. Onde ficava?! Os poucos que conheciam a palavra "Burajiru" (Brazil), achavam que neste país existia somente "samba, carnaval, índios e floresta".

O movimento dekassegui naquela época, no início da década de 90, era marcado por episódios particulares onde somente o marido ía ao Japão. Depois que conseguisse se estabilizar na fábrica e arrumasse um lugar para morar, levava a família. Eles tinham o objetivo de ficar cerca de dois, três anos e, se economizassem o suficiente, conseguiriam investir no Brasil. Assim era a rotina dos dekasseguis.

O estouro da "bolha" econômica naquela época não causava nenhuma preocupação. O mercado de mão de obra para os brasileiros ainda era disputadíssimo. Empresas que não tivessem brasileiros em suas linhas de produção ficavam para trás.

A produção de cada brasileiro em relação ao japonês era no mínimo o dobro e, em muitos casos, até sete vezes mais. Enchia de orgulho saber que muitas empresas de "fundo de quintal" na época, estavam crescendo rapidamente por causa dos brasileiros. Ganhava-se em um ano de trabalho no Japão, o que se levaria dez anos de trabalho no Brasil.

Muitos lojistas japoneses, perceberam este novo filão de consumidores e rapidamente abriram as portas para atendê-los. Outros tiveram que passar pelo revés de ter de chamar de volta os brasileiros, quando por discriminação os impediram de entrar em seus estabelecimentos. Bastaram 30 dias, na hora de fazer o balanço para sentir a diferença. Eram aqueles "gaijins" (estrangeiros) que vinham aquecendo as vendas.

Também pudera... Os brasileiros entravam nas lojas, não pechinchavam, pagavam à vista produtos de 150, 200 mil yenes e ainda carregavam nas costas até suas casas. Em compras de 100 yen era comum ver brasileiros pagando com notas de 10 mil.

Matar a saudade da feijoada, do guaraná Antarctica, cerveja Brahma, salame, era ficar aguardando os parentes e amigos que chegavam do Brasil trazendo estas delícias dentro das bagagens.

Revistas e jornais mesmo sendo do mês anterior eram devoradas em poucos minutos, passando de mão em mão. Somente em meados daquele ano é que surgiu em Toyohashi a primeira loja que comercializava produtos brasileiros.

Era uma adega japonesa, onde se vendia apenas bebidas. Chamava-se "Takehana", localizada no bairro de Higashi Miyuki, lá pelos lados do Akebono. Os preços eram "salgados", mas valia a pena.

Matá né!

Shima.


Tomodachi Club 

https://www.facebook.com/groups/ToyohashiTomodachiClub/

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