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segunda-feira, 25 de junho de 2018

JAPÃO – 110 ANOS DA IMIGRAÇÃO NO BRASIL

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Assim como outras culturas e povos trouxeram uma contribuição ímpar para a formação da nação brasileira, a do Japão também enriqueceu este país em pouco mais de um século, através dos seus imigrantes que cruzaram o oceano em busca de novas oportunidades.

Foi somente pelo trajeto do caminho inverso, como ex-dekassegui que foi possível entender as dificuldades daqueles pioneiros orientais no Brasil, quando passamos pelas primeiras dificuldades no Japão vivendo num país antagônico em tantos aspectos, se usarmos o parâmetro brasileiro como base.

A diferença é a época em que ocorreram estas duas aventuras...

Quando os japoneses chegaram ao Brasil no início do século passado,  encontraram um território praticamente inexplorado, com condições de sobrevivência muitas vezes precárias ocasionando mortes por doenças e epidemias devido à falta de assistência médica adequada.

Já na época em que fui para o Japão, na década de 90, os decasséguis encontraram um Japão milenar de primeiro mundo com todas as facilidades e comodidades, tendo acesso aos meios de comunicação, assistência médica e oferta de trabalho além da moradia. A questão de idioma era superada pela existência dos “tantoushas” (intérpretes) que as empresas colocavam à disposição dos brasileiros, o que não ocorreu no passado com os imigrantes japoneses.

O meu avô paterno atuava como curandeiro no interior do Brasil dentro da colônia japonesa, tentando superar as dificuldades e condições precárias. Muitas doenças necessitavam de pequenas intervenções cirúrgicas emergenciais, fazendo dele uma solução para os casos de primeiros socorros. Nesses procedimentos a anestesia inexistia.

As histórias de cada personagem ao longo do século fornece um acervo impressionante de como o povo nipônico contribuiu de forma produtiva no crescimento e expansão da economia brasileira.

Na construção de Brasília no fim da década de 50 e início dos anos 60, verificou-se que era necessário formar o “Cinturão Verde” através de chácaras que pudessem fornecer produtos como hortaliças para os habitantes da futura capital do Brasil. Assim, o presidente JK enviou uma equipe de Brasília para Goiânia em busca de colonos japoneses, já que tudo o que se consumia era importado.

Questionado por dizerem que a terra era ruim (muito árida) e dificilmente se produziria alguma coisa, o representante de Brasília e futuro prefeito da Capital, Israel Pinheiro, disse que se a terra fosse boa não chamaria os japoneses. E assim, um grupo de famílias japonesas veio e venceu o desafio transformando a horticultura num pólo de exportação para outros Estados.

Desta forma, se expandiu pelo Brasil a arte, culinária, música, filosofia, religião, artes marciais e terapias de cura da cultura e tradição japonesa que hoje integram o nosso cotidiano.

110 anos depois é impressionante ver os resultados alcançados por este povo que contribuiu intensamente para o progresso do Brasil.

No último encontro que tive com o amigo Joe Hirata, tomei conhecimento sobre o videoclipe que seria lançado em homenagem aos 110 anos da Imigração japonesa no Brasil...

E é com muita alegria que compartilho aqui este lindo trabalho feito com muito carinho e profissionalismo.


 
 
 
Arigatoh Japão!
Shima.
Namastê.

MINHA PAIXÃO PELA SELEÇÃO DO JAPÃO

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Na vida somos marcados por emoções intensas que quando promovem um sentimento de lealdade acarretam uma força interior muito profunda. E a minha paixão pela Seleção Japonesa tem um motivo muito especial, porque está ligada à minha estadia na terra do sol nascente e a influência do futebol que ocasionou uma das maiores transformações sobre a vida dos decasséguis no Japão.

Antes os brasileiros eram vistos apenas como descendentes de índios da Amazônia... Pensavam que aqui só existia Carnaval e a nudez era um dos nossos hábitos. Era comum nas fábricas, me perguntarem se no Brasil eu usava roupa ou se tinha geladeira, TV... Outras vezes, em encontros de confraternização onde a culinária era o ponto alto, me perguntavam se comíamos só raízes. O absurdo era evidente e só fui compreender porque ocorria quando comecei a prestar mais atenção no que a TV japonesa falava sobre temas brasileiros.

O que também parecia pesar muito negativamente se relacionava às imagens do início do século XX, quando os primeiros imigrantes japoneses se embrenharam nas selvas e fazendas, desbravando o interior do Brasil em busca de melhores condições de vida. Era compreensível a visão parcial que tinham do nosso país e do seu povo. O curioso era também que os decasséguis tinham quase as feições dos nossos índios com olhos puxados. Isso gerou muita confusão sobre a nossa ascendência japonesa.

O Brasil era alvo de interesse devido à peculiaridade da Amazônia e a diversidade dos povos indígenas. Esse era o ponto positivo que via neles, o de aprender sempre.

Quando cheguei ao Japão, em 1990, uma das primeiras cenas que me chamou a atenção foi a dos jogos de futebol que passavam na TV, uma prática esportiva nas fábricas, escolas e universidades. Com todo o meu respeito, era como assistir aos jogos de pelada em campos de terra batida. Se num lance era cômico ver chutões e depois 20 jogadores embaixo esperando a bola descer, noutro ficava impressionado pela velocidade e resistência que eles tinham durante o jogo inteiro.

Nos jogos que fazíamos com times da fábrica em Toyohashi que envolviam ingleses, alemães, japoneses e brasileiros, ficava surpreso com a capacidade que tinham de acreditar que podiam alcançar uma bola considerada perdida (pela distância), mas alcançavam e dominavam a bola. Era como assistir um anime, pareciam ter turbinas nas pernas. Desde então, os japoneses passaram a ter o meu respeito pela disciplina, determinação e dedicação. Eles sempre acreditaram em algo.

Quando o Zico foi para o Japão em 1991 para jogar no time de uma fábrica ao norte do Japão ocasionou um divisor de águas no futebol japonês. De amador se tornaram profissionais. Aprenderam rápido com os jogadores brasileiros que desembarcaram em solo japonês. E o mais belo movimento que ocorreu com a ida do Zico foi a surpreendente descoberta dos japoneses sobre o que era o Brasil.

Assim que se tornou um ídolo no Japão, a vida do jogador Zico despertou um mar de curiosidade e os japoneses queriam saber quem ele era. De onde tinha vindo e como era a sua vida antes de mudar para o Japão. Foi quando surgiram os documentários sobre o Rio de Janeiro, as pessoas e a casa do Zico no Brasil. Viram como era o campeonato brasileiro de futebol e passaram a conhecer as capitais brasileiras e o nosso povo tal como era de verdade.

Tudo mudou, os japoneses ficaram chocados com a realidade do Brasil. Perguntavam se nossa casa era como a do Zico, se nossa cidade era igual a dele e assim por diante. A visão que era limitada se expandiu de forma surpreendente. Os japoneses estavam redescobrindo o Brasil.

De uma visão somente do interior da floresta amazônica passaram a admirar “o novo Brasil” até então desconhecido por eles e ficavam maravilhados com o tamanho de uma casa brasileira que ocupava um espaço muito maior que os arrozais deles. Perceberam a dimensão do Brasil, conheceram a história, cultura e tradição do povo brasileiro.

Os empresários faziam muitas perguntas, questionavam a economia do Brasil e se espantaram ao conhecer a Embraer, a Engesa, a Estação de Lançamento de Alcântara, as indústrias brasileiras, inclusive as automobilísticas que para muitos foi algo chocante. A partir destes fatos, muitos “Shachôs” (presidentes de empresas) passaram a visitar o Brasil junto com seus funcionários brasileiros durante as férias.

O pentacampeonato do Brasil ocorrido na Copa do Mundo no Japão e Coréia em 2002 foi a nossa consagração em solo japonês. Para quem tinha chegado antes da profissionalização do futebol japonês, ver o país sediar uma Copa e observar a sua seleção em crescente desenvolvimento com uma “mãozinha dos brasileiros”, era encantador e consolidava o respeito dos japoneses aos brasileiros, comprovando que não era só nas fábricas que os brasileiros se destacavam. Atualmente, há muitos ex-decasséguis que se tonaram empresários e fundaram suas próprias empresas em solo nipônico.

Se de um lado tenho uma paixão pela Seleção do Japão, do outro tenho um amor imenso pelo Brasil que também é o país onde nasci nesta vida atual...  Tenho orgulho de ser brasileiro.

Gambarê Nihon!
Shima.
Namastê.

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