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quarta-feira, 21 de agosto de 2019

Nihon - A década de 1990 e o início do Fenômeno Dekasségui



Minha primeira residência no Nihon em Shiraoka.

Em 11/03/1990 desembarquei no Nihon e o primeiro local que residi foi em Shiraoka na província de Saitama; e posteriormente em Totsuka, cidade vizinha de Fujisawa em Kanagawa Ken.

Procurei no Google pela casa onde morei e a encontrei do mesmo jeito que a deixei. Já a casa que morei em Totsuka não existe mais e no local foram construídos vários prédios.

Vista K.K. - Primeira empresa em que trabalhei no Japão, inclusive como funcionário efetivo.
Fábrica de Escapamentos da Honda  (1990).

Registro da nossa excursão ao Fujisan - Funcionários da empresa Vista K.K. em Junho de 1990


Já em Toyohashi, morei praticamente um ano no alojamento da empreiteira que servia de hospedagem temporária para os dekasséguis que mudavam de emprego lá no Japão buscando por melhores condições de trabalho e de salário.

Alojamento da Empreiteira em Toyohashi, no bairro de Kitayama, onde fiquei de Nov/1990 a Out/1991.
Neste período conheci mais de mil pessoas entre brasileiros e peruanos, que traziam em suas bagagens muitas histórias e lições de vida e falavam das suas origens e da experiência no Japão por onde trabalharam.

Alguns ficavam em torno de um mês no alojamento até serem encaminhados para os novos empregos nas fábricas, onde eram encaminhados pela própria empreiteira que atuava em várias regiões. 

A maioria deles no período de em uma semana já conseguia uma nova recolocação. Nesta época, os “nikkeys” (descendentes de japoneses) não tinham a  intenção de permanecer no Japão mais do que a média de dois anos, por isso as empreiteiras (agências que faziam os contratos de trabalho) ofereciam alojamentos, utensílios domésticos e até bicicletas para a locomoção.  

Naquela época, a necessidade de mão de obra estrangeira era intensa e o Governo japonês tinha preferência pelos nikkeys devido a afinidade cultural, a manutenção das tradições ancestrais e o idioma. 

No ano de 1990 houve várias mudanças na Lei de Imigração do Japão para facilitar a entrada de mão de obra estrangeira, principalmente a brasileira, permitindo a legalização da permanência em território japonês.

Essas mudanças amenizaram a dificuldade de saída dos nikkeys do Brasil, visto que a Polícia Federal (PF) procurava inibir qualquer tentativa de trabalho ilegal fora do país. 

Muitas empreiteiras no Japão prendiam os passaportes dos brasileiros até que todas as dívidas da viagem e despesas fossem quitadas. Agiam dessa forma para impedir os “calotes” e fugas para outras empreiteiras. Houve muitas denúncias e por este motivo a PF no Brasil agia rigorosamente quando detectava que um Nikkei estava sendo aliciado para trabalhar no Japão sem estar devidamente legalizado para este objetivo.

Com as alterações na Lei de Imigração, as primeiras gerações (isseis e nisseis) tiveram privilégios quanto ao Visto que passou a ser de um ano. Este prazo foi estendido aos sanseis e yonseis (3ª e 4ª gerações), logo após. E posteriormente, o tempo do Visto foi aumentado para dois e três anos com direito a obtenção do Visto Permanente. 

Em poucos meses milhares de Vistos foram emitidos pela Imigração Japonesa, tudo no decorrer do ano de 1990.

Muitos empresários japoneses admitiam que se não fosse a mão de obra dos brasileiros, teriam que ter fechado as portas de suas fábricas. Inúmeras fábricas de "fundo de quintal" tornaram-se grandes empresas, como resultado da mão de obra dos dekasséguis brasileiros. Era comum ouvir que um brasileiro fazia o trabalho de sete japoneses nativos, um fato incontestável que fez do Brasil a terceira maior comunidade estrangeira no Japão.

No meu livro “Memória de um ex-Dekassegui” narro em detalhes as mudanças ocorridas no Brasil na Era Collor até o meu retorno ao Brasil em 2006; Nele abordo temas como a “Síndrome do Dekassegui”, a “Ponte Brasil-Japão” e a situação econômica, política e social do Japão e do Brasil com o foco direcionado para a “Imigração Japonesa no Brasil” e o “Fenômeno Dekassegui no Japão” na década de 90.

Um dos principais objetivos do “Kyuukei Magazine” será o de permitir o resgate da tradição e da cultura japonesa junto à comunidade nipo-brasileira, além de promover a divulgação dos eventos, artes, músicas, academias de artes marciais e escolas do idioma japonês. 

Para dar apoio a este projeto, estou criando a “Academia de Estudos Orientais” onde serão desenvolvidos cursos e treinamentos sobre a ancestralidade dos povos do extremo oriente como Japão, China e Coréia, com um destaque especial para a Ilha de Okinawa.

Aos poucos vou comentar mais sobre estes assuntos aqui no site.

Um grande abraço,
Shima.

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