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sábado, 7 de setembro de 2019

O Relato de um Chonan no Brasil


 
Okinawa - Túmulo dos antepassados.

O Nikkei (descendente de japoneses) carrega em sua bagagem a tradição, costumes e valores orientais. Não importa onde viva, em que país se estabelece, está no sangue a sua origem ancestral.

A minha árvore genealógica tem a origem, a raiz na Ilha de Okinawa que por milhares de anos foi um Reino independente, soberano e livre e desenvolveu suas ramificações por séculos neste pequeno território do tamanho da cidade de São Paulo ou de Nova Iorque, pois sua área é de apenas 1.206,98 km² e fica de frente para o Oceano Pacífico.

Enquanto no continente nipônico se desenvolveu a corrente Xintoísta e depois o Budismo se expandiu por todo o Arquipélago, na Ilha de Okinawa prevaleceu a tradição do Culto aos Antepassados como crença, religião e ritual. Cada família okinawana forma um Clã e essa herança vem dos tempos primordiais.

O mundo atual dificilmente irá compreender a origem da Ilha de Okinawa que se perde nos tempos Lemurianos, quando existiu um imenso continente no Pacífico e a Ilha de Utiná era parte desta civilização que submergiu no grande Oceano. Por isso o Ritual dos Antepassados está ligado aos conhecimentos sagrados da antiga Lemúria.

A conexão do mundo material com o plano espiritual é até hoje realizada através de uma sacerdotisa, cuja mediunidade é herdada geração após geração para essa finalidade, sendo portando a missão coletiva executada por uma mulher de determinada região da Ilha onde terá a sua jurisdição com os núcleos familiares. Essa sacerdotisa é conhecida como Yutá. Normalmente cada família okinawana tem sua sacerdotisa representada na filha mais velha de uma família.

A Yutá é capaz de conversar com o espírito desencarnado de uma família de onde vem as orientações e instruções, principalmente do ancestral que é responsável por uma geração familiar. Dentro desta hierarquia cabe ao tataravô a sustentação da egrégora familiar no plano espiritual até a quarta geração e assim sucessivamente conforme a linhagem prossegue no plano material.

É muito importante no plano da existência tanto espiritual quanto no físico o reconhecimento do “cabeça” do Clã familiar que é o filho primogênito na árvore genealógica. Toda a força energética do ramo familiar é concentrada diretamente no Chonan (primogênito) da linhagem. Esse entendimento precisa ser difundido a cada nova geração. A perda desta tradição acarreta a interrupção e o afastamento dos ancestrais na proteção e orientação familiar.

Na situação mais grave é finalizada a egrégora espiritual da família que perde sua conexão com seus ancestrais primordiais e abre o espaço para a ocupação do Clã para outros espíritos que precisam de veículos para sua jornada terrena e que não tem relação com as tradições milenares deste núcleo familiar. Nas famílias tradicionais que ainda mantêm seu ritual ancestral, somente é permitida a reencarnação de entidades ligadas ao Clã, pois existe uma missão espiritual para cada um desenvolver no plano material.

É muito raro numa geração, a linhagem mudar de ramo e isso somente é permitido com a autorização do mais antigo ancestral do Clã que se reúne em Conselho e decide qual será o novo destino da família. Este fato é comunicado à família através da Yutá. O caso de maldição, doenças, conflitos numa família tem a ver com sua linhagem ancestral e somente com o contato através de uma Yutá é possível encontrar a causa do problema e promover a solução e a cura.

Este conhecimento foi um dos muitos aprendizados que trouxe na minha bagagem durante a jornada em solo nipônico ao longo de 16 anos. De volta ao Brasil foi possível comprovar tudo o que foi desvendado durante minhas experiências vividas na Ilha de Okinawa. As últimas 14 gerações do meu Clã se revelaram e com imensa alegria fiz o contato com um ancestral okinawano do Século XIII que trouxe novas revelações.

A minha avó paterna foi uma Yutá e com ela aprendi muito sobre a arte de cura. Gerações de antepassados da família foram curadores, até o meu pai. Hoje sou abençoado por ter reencontrado nesta vida atual uma Yutá reencarnada na personalidade da Renata, minha esposa. Não é a toa que ela tem uma madrinha nissei. Nada acontece ao acaso, mas segue a providência divina dos nossos antepassados.

Mesmo com tantos desafios prossigo na missão herdada do meu Clã, seguindo as instruções do meu Tataravô que continuamente me orienta sobre as responsabilidades de um Chonan, independentemente se isso foi esquecido dentro das famílias do nosso Clã.

Quando o meu pai partiu para o plano espiritual em 2004, herdei além do Clã, a missão de extirpar a maldição que recaía sobre todos os seus membros e que era do conhecimento do meu pai, dos meus tios e tias. E isso foi realizado ao longo de 15 anos realizando todos os resgates de parentes desencarnados, inclusive entrando em batalhas umbralinas contra os espíritos obssessores que perseguiam o Clã há séculos.

Foi pouco antes da viagem do meu pai para a Ilha de Okinawa no ano de 1991 que ele me revelou a verdade sobre esta maldição e foi isso que custou a vida dele. Depois do desencarne dele e na conexão que fizemos no plano espiritual foi possível compreender as causas principais da origem desta maldição. Acabei encontrando esta origem no final do Século XII e a finalização dos resgates ocorreram agora, durante o último dia 10/08/2019 pouco antes do início do Festival de Obon (Antepassados) em Okinawa.

Mesmo assim, com a perda desta tradição dentro do Clã a partir da quarta geração, é possível manter a egrégora para toda a linhagem enquanto eu estiver encarnado, conforme foi revelado pelo meu Tataravô, antes do meu desencarne devo nomear quem será o Cabeça do novo Clã que dará início a uma nova ramificação na Árvore Genealógica, em função do término da linhagem que vai findar comigo.

Isso decorre pelo fato de estarmos passando pela transição planetária e todos que tem origem nipônica devem deixar o planeta e retornar ao Lar de onde vieram. A experiência terrestre terminou. No plano espiritual, aqueles que não pertencem à família de origem nipônica seguem outro destino.

Ao lado de uma Yutá é possível manter a tradição milenar do Clã que honrei cumprir.

Assim é o Bushido.

Em gratidão profunda,
Shima.

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