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terça-feira, 11 de fevereiro de 2020

TRADIÇÃO DE OKINAWA - MINHA AVÓ, UMA YUTÁ - 11/02/2020

Minha avó paterna

Uma das mais lindas recordações que carrego na minha alma foram as companhias da minha inesquecível avó paterna, Kame-san, uma das maiores guerreiras que já conheci, além de ser uma grande sacerdotisa que em Okinawa é chamada de Yutá. A cultura tradicional okinawana é alicerçada na espiritualidade que une todas as famílias desta ilha milenar.

Todas as vezes que nos encontrávamos em Brasília ou em São Paulo ocorria uma cena transcendental com ela me orientando em "uchinaguti" e eu falando em "português". Ela não dominava o idioma português, mas a conversa fluia maravilhosamente como se a comunicação fosse telepática, pois a entendia e ela a mim. Minha avó paterna foi mais do que a "segunda mãe", pois atuou na minha vida como minha instrutora espiritual.

Fui inspirado pela contínua atuação através do "Johrei" que recebia dela sempre que não me sentia  bem ou tinha dores em alguma parte do corpo, e um dos grandes motivos que me levaram a entrar na Igreja Messiânica da qual ela era membro praticante. Através da minha avó aprendi a conhecer a força e o poder de cura desta emanação de Luz. No clã da minha família paterna corre em suas veias a missão dos curadores espirituais.

Meu pai em Nagoya, Japão 1991
Foi assim com o meu tataravô, com o meu bisavô, com o meu avô e com o meu pai. Foram quatro gerações ininterruptas nesta arte milenar tradicional de Okinawa. Cresci ouvindo as histórias deles através dos meus tios paternos e presenciei pessoalmente as atuações do meu pai neste campo da cura espiritual. E foi no Japão que o meu pai me passou as últimas instruções, revelações e orientações sobre a espiritualidade, a tradição e a cultura okinawana.

No caso da minha avó, ela foi uma Yutá até o seu último suspiro e no plano espiritual é considerada uma grande sacerdotisa. Senti muito a sua partida do plano físico e foi uma das maiores perdas que tive na vida, marcando profundamente a minha alma. O traslado dos restos mortais da minha avó para Okinawa foi o fato que acabou levando o meu pai para o Japão que tinha a missão de promover o resgate cármico do clã do qual ele era o chonan.

Assentamento dos restos mortais da minha avó em Okinawa

Uma yutá é conhecida no Ocidente como médium. A missão de uma yutá é fazer a ligação entre o mundo espiritual com o mundo material, passando instruções e recomendações dos antepassados da família para os seus descendentes encarnados, orientando-os como conduzir a vida de cada membro dentro da tradição familiar ancestral e promovendo a saúde, prosperidade e equilíbrio na vida material.

"É muito raro numa geração, a linhagem mudar de ramo e isso somente é permitido com a autorização do mais antigo ancestral do Clã que se reúne em Conselho e decide qual será o novo destino da família. Este fato é comunicado à família através da Yutá. O caso de maldição, doenças, conflitos numa família tem a ver com sua linhagem ancestral e somente com o contato através de uma Yutá é possível encontrar a causa do problema e promover a solução e a cura." (O Relato de um Chonan no Brasil)

Depois do desencarne do meu pai, herdei a condição de chonan e também a missão de concluir o trabalho que ficou inacabado com o seu retorno ao plano espiritual. Após a sua morte, ainda no Japão, passei a receber instruções do meu pai sobre a continuidade desta missão e posteriormente também a minha avó começou a se manifestar continuamente na minha orientação, revelando vários aspectos de cada membro do clã.

Como em todos os clãs milenares ou seculares, há casos de maldições e isso não foi excessão em nossa família.

"Quando o meu pai partiu para o plano espiritual em 2004, herdei além do Clã, a missão de extirpar a maldição que recaía sobre todos os seus membros e que era do conhecimento do meu pai, dos meus tios e tias. E isso foi realizado ao longo de 15 anos realizando todos os resgates de parentes desencarnados, inclusive entrando em batalhas umbralinas contra os espíritos obssessores que perseguiam o Clã há séculos.""Acabei encontrando esta origem no final do Século XII e a finalização dos resgates ocorreram agora, durante o último dia 10/08/2019 pouco antes do início do Festival de Obon (Antepassados) em Okinawa." (O Relato de um Chonan no Brasil)

Essa informação seria passado aos descendentes do Clã num encontro entre todos os seus membros a pedido do meu tataravô, mas infelizmente essa revelação não foi possível de ser feita na reunião promovida no mês seguinte (setembro) em função de não ter sido convidado para o evento familiar do clã. Isso sinalizou que por força do livre arbítrio, os membros do clã faziam suas escolhas contrariando a tradição okinawana e com isso rompendo com a própria ancestralidade do clã.

"É muito importante no plano da existência tanto espiritual quanto no físico o reconhecimento do “cabeça” do Clã familiar que é o filho primogênito na árvore genealógica. Toda a força energética do ramo familiar é concentrada diretamente no Chonan (primogênito) da linhagem. Esse entendimento precisa ser difundido a cada nova geração. A perda desta tradição acarreta a interrupção e o afastamento dos ancestrais na proteção e orientação familiar." (O Relato de um Chonan no Brasil)

A última recomendação passada por meu tataravô foi a de prosseguir na minha missão pessoal dentro da Grande Missão e confirmou a decisão do Conselho do Clã em encerrar a linhagem com o meu pai, ficando livre de todas as consequências que acarreta sobre um chonan. Caberia a mim iniciar outra linhagem de acordo com a minha consciência espiritual e do qual seria o "cabeça" deste novo clã.

A alegria foi receber da minha avó paterna a sua bênção e o olhar amoroso para aquela que herdou o seu sacerdócio na Terra e que caminhava ao meu lado como uma yutá consagrada por ela em uma vida passada na Ilha de Okinawa.

Em Luz e Amor,
Paz em Cristo!
Shima.
Namastê.

Leia mais:

O Relato de um Chonan no Brasil

Reflexão - Todo Grande Guerreiro tem o seu Clã


Minha mãe e a Corujinha
Iaido, arte que aprendi com o meu pai ainda na infância

Meus filhos, netos, genros e nora (festa de 88 anos da minha mãe)
Nota - Após a postagem deste artigo, minha avó paterna se manifestou aqui no NA e deixou uma instrução pessoal sobre um dos passos da minha missão como escritor.







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